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Jala Neti – limpeza das narinas

Os Kriyas no Dakshina Tantra Yoga

O Dakshina Tantra Yoga apresenta uma série de práticas para a limpeza do corpo físico e sutil. Essas práticas são genericamente chamadas de Kriyas.

Algumas dessas técnicas mais sutis são aquelas que usamos previamente à pratica dos asanas numa típica aula de Dakshina Tantra Yoga, como o Kapalabhati, Padhadirasana, Agni Sara entre outros.

Outras atuam mais diretamente no corpo físico, ou sthula shariram (corpo grosso), limpando-o literalmente, como o Jala Neti, limpeza das vias respiratórias com água morna (usando o lota), o Sutra Neti, limpeza das vias respiratórias, usando um cordão encerado. O Vata Sara, limpeza do estômago com ar, o Shankprakshalana, limpeza estomacal com água, e o Kunjal Kria (ou Vaman Dhauti), limpeza do estômago por regurgitação, entre outras.

Abaixo apresentamos a descrição do Jala Neti, limpeza das vias respiratórias.

Jala Neti

Preparação:

Um recipiente especial, o lota, é necessário para esta prática. O lota pode ser feito de plástico, metal, louça ou qualquer outro material que não contamine a água. O importante é que a ponta do bico do lota adeque-se confortavelmente à cavidade da narina, de forma a não deixar que a água vaze. A água deve estar na mesma temperatura do corpo e deve ser adicionada uma quantidade de sal na proporção de uma colher de chá por litro de água. A adição de sal assegura que a pressão osmótica da água seja igual à dos líquidos corporais, dessa forma minimizando qualquer irritação à membrana da mucosa nasal. Se for sentida alguma dor ou irritação durante a prática, significa que há excesso ou pouco sal na mistura. Como referência, o excesso de sal na mistura dá a sensação da irritação que sentimos quando entra água do mar nas nossas narinas e a quantidade de sal insuficiente causa a mesma sensação de irritação da água de piscina.

Lavagem das Narinas:

Você pode fazer essa prática no quintal de casa ou se não tiver espaço suficiente, faça no box do banheiro, onde poderá assoar o nariz à vontade.

Encha o lota com a mistura de água e sal amornada.

Fique de pé, com as pernas afastadas aproximadamente quatro palmos, distribuindo o peso do corpo por igual entre os pés. Feche os olhos e relaxe o corpo todo por alguns segundos antes de iniciar a prática.

Vire a cabeça para o lado e incline o corpo para frente, de sessenta a noventa graus.

Comece a respirar pela boca. Gentilmente insira o bico do lota na narina que ficou voltada para cima.É importante neste momento encaixar bem o bico do lota na narina para que não vaze de volta. Inspire normalmente pela boca e expire o mais lentamente que puder, deixando a água fluir. Não faça força, apenas incline o lota e deixe o peso da água fazer com que haja a circulação pelas narinas. O fluxo de ar pela garganta evitará que a água desça e fará com que naturalmente saia pela outra narina. Quando precisar inspirar novamente, interrompa o exercício, inspire e ao expirar volte a fazer a água fluir. Com alguma prática você poderá ser capaz de fazer a limpeza sem interromper para inspirar, mas no início, recomendo que evite, pois o esforço para inspirar pode fazer com que a água desça pela garganta. Para que o fluxo seja perfeito, é importante acertar a inclinação do tronco e da cabeça.

Quando chegar à metade do recipiente, retire o lota, traga a cabeça para o centro e deixe a água descer das narinas. Remova qualquer muco da narina assoando suavemente. Vire a cabeça para o lado oposto e repita o mesmo procedimento.

Depois de completar o processo, drene as narinas completamente.

Drenagem das Narinas:

Fique de pé e com o corpo ainda inclinado para a frente, assoe com vigor, mas sem forçar demais, virando a cabeça em todas as direções, para frente e para trás, direita e esquerda várias vezes até sentir que a água e o muco saíram quase completamente.

Para assegurar a secagem completa, faça um movimento parecido com a prática do nadi shodhana pranayama: tape a narina direita com o polegar e inspire pela esquerda, solte a narina direita, tape a esquerda e exale com certo vigor pela narina direita. Faça o mesmo no outro lado. Alterne algumas vezes esse movimento até que sinta que a água e o muco foram totalmente drenados das narinas.

Duração:

Esta prática dura aproximadamente 5 minutos. O Jala Neti pode ser praticado uma vez por dia ou como recomendado pelo terapeuta ou profissional de yoga. Para aliviar sintomas de gripes e resfriados, acúmulo de muco ou sinusite, pode ser feito até 3 vezes por dia.

Consciência:

Física – no relaxamento e posicionamento do corpo, tomando cuidado para que a água não vaze do bico do lota e na respiração lenta e relaxada pela boca, especialmente para iniciantes nesta prática.

Energética – no Ajna Chakra.

Horário da prática:

O Jala Neti deve ser praticado preferencialmente pela manhã, em jejum e antes da prática de asanas. Entretanto, se necessário, pode ser praticado em qualquer outro horário, exceto logo após as refeições.

Precauções:

A água deverá passar somente através do nariz. Se alguma água entrar pela garganta ou boca é uma indicação de que o posicionamento da cabeça está incorreto. Tenha certeza de que o nariz esteja devidamente drenado após a prática, caso contrário a mucosa nasal poderá ficar irritada e manifestar sintomas semelhantes ao do resfriado. Não assoe o nariz com excesso de força, pois a água remanescente pode ser empurrada para os ouvidos. Se necessário, relaxe em shashankasana por alguns minutos. Nunca assoe o nariz tapando as narinas, como fazemos com lenços. Isso poderá causar pressão nos tímpanos. Se estiver com sinusite avançada, procure um médico. Essa é uma prática preventiva.

Contra-indicações:

Pessoas que possuam um bloqueio muito grande e crônico nas vias nasais não devem tentar a prática sem a consulta a um especialista. Se você tem grande dificuldade de fazer com que a água passe de uma narina a outra, por mais que tente, pode ser indício de um bloqueio estrutural na cavidade nasal e deve procurar um médico para que faça uma avaliação.

Benefícios:

O Jala Neti remove muco e poluição das cavidades nasais e sinus, permitindo que o ar flua sem obstruções. Isto ajuda a prevenir e tratar doenças do trato respiratório, tais como asma, pneumonia, bronquite e tuberculose. Ajuda a aliviar altergias, resfriados e sinusites, assim como várias desordens dos ouvidos, olhos e garganta, inclusive rinite alérgica, tonsilite, inflamações da adenóide e membranas mucosas. Respiração oral em crianças pode ser reduzida pela prática do Jala Neti.

Também alivia tensões nos músculos da face, tiques nervosos e ajuda o praticante a manter uma aparência fresca e jovial.

Jala Neti estimula as várias terminações nervosas do nariz, estimulando a atividade cerebral e a saúde integral do indivíduo. É conseguido um equilíbrio entre ambas as narinas e consequentemente entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, induzindo um estado de harmonia corporal e equilíbrio dos sistemas circulatório e digestivo. Mais importante que tudo, entretanto, é que o Jala Neti ajuda no despertar do Ajna Chakra.

Nota:

Pode-se colocar uma gota de própolis ou de limão ou aínda de óleo essencial de eucalipto globulus na água do lota, nos casos de resfriados mais renitentes.

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4 comentários em “Jala Neti – limpeza das narinas

  1. É lamentável que os meios de comunicação não divulguem prática tão simples e barata, mas ao mesmo tempo tão eficiente no tratamento da afecções das vias respiratórias superioras, o que, sem dúvida, melhora a oxigenação cerebral, entre outros benefícios à saúde do indivíduo, como um todo.

  2. Boa noite,

    Muito importante a divulgação desse recurso de promoção da saúde em tempos de poluição atmosférica e falta crônica de Prana no ambiente urbano, uma das causas dos problemas respiratórios na população.

    Gostaria apenas de acrescentar que o própolis, apesar de pouco divulgado e não ser regulamentado como tal*, é uma mistura complexa de substâncias com atividade antibiótica (antimicrobiana), além de propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, e portanto, seu uso não deve ser esporádico e, sim, apenas em casos de infecção bacteriana diagnosticada (complicação que ocorre em alguns quadros de sinusite, amigdalite/tonsilite e faringite).

    Nesses casos, para não prevenir resistência bacteriana, deve-se usar extrato padronizado (isto é, cujos ativos ou substâncias indicativas destes foram doseadas e foi estabelecido um intervalo de concentração por volume ou peso do produto) e seguir uma posologia típica para antibióticos, como p.ex., X gotas (função do peso e características do paciente), 3 vezes ao dia durante 7 dias.

    A resistência bacteriana é um fenômeno no qual bactérias resistentes a determinado antibiótico, que naturalmente já existem, transferem seus genes de resistência a bactérias não-resistentes ao mesmo antibiótico, aumentando assim a população das bactérias resistentes. Por isso, é importante de seguir o tratamento com antibióticos até o fim, conforme prescrição médica, a fim de não aumentar a população de bactérias resistentes que naturalmente existem no meio ambiente (incluindo aí o corpo humano).

    Não recomendo o uso de própolis nesse esquema posológico citado por mais de 30 dias seguidos, pois há possibilidade de desenvolvimento de alergias ou outros fenômenos imunológicos.

    Respeitosamente,

    Leonardo S.A.
    Farmacêutico Clínico & Industrial
    CRF/RJ 21.396
    SIstema Único de Saúde

    ………………………………………..Hari OM…………………………………………………….

    *Regulamentação:

    A maioria dos produtos à base de própolis disponíveis no mercado (na forma de xaropes de mel, extratos hidroalcoólicos ou glicólicos em gotas, soluções diluídas prontas para uso, cápsulas contendo extrato seco, soluções diluídas adicionadas de mel e extratos vegetais aromatizantes ou que atuam sinergicamente em frasco com dispositivo “spray” etc.) são regulamentados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA como produtos alimentícios de origem animal (apícolas), tendo de possuir selo do Serviço de Inspeção Federal – SIF do Depto. de Inspeção de Produtos Animais – DIPOA ou no órgão local de Agricultura, declaração dos ingredientes da fórmula e informação nutricional (conteúdo energético em calorias, quantidade de proteínas, carboidratos e gorduras, sódio etc.). Trata-se de um equívoco normativo do ponto de vista sanitário, pois própolis não é um alimento e sim um medicamento, porém é um “mal” necessário considerando-se fatores econômicos e sociais.

    Há pelo menos um produto no mercado, na forma de cápsulas contendo extrato seco de própolis, regulamentado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa do Ministério da Saúde como medicamento opoterápico, isto é, medicamento obtido a partir de glândulas ou secreções de origem animal (no caso, da abelha). Para registrar um produto apícola como medicamento na Anvisa, o custo é muito mais elevado devido aos requisitos regulatórios: a empresa deve possuir alvará sanitário, responsável técnico farmacêutico, certificado de regularidade técnica perante o Conselho Regional de Farmácia, certificado de Boas Práticas de Fabricação e Controle obtido após inspeção da Anvisa, devem ser feitos ensaios de controle de qualidade lote a lote mais rigorosos, dossiê contendo toda a documentação do produto para avaliação e liberação por parte da área de registro da Anvisa etc.

    O MAPA também possui várias exigências semelhantes, mais focadas nas questões de higiene e limpeza, que todo entreposto de produtos apícolas (mel, cera de abelhas, geleia real, polén apícola etc.) deve obedecer. Algumas empresas apícolas optam então por terceirizar a secagem e encapsulação do extrato de própolis em indústrias de medicamentos fitoterápicos que então registram assim o produto.

    Deve-se atentar para a composição dos produtos a base de própolis utilizados como remédios, muitos contém teor de extrato de própolis insuficiente para sua eficiência medicamentosa. Além disso, por não serem farmacotecnicamente formulados, muitos contém aditivos sintéticos, adoçantes e conservantes que eu particularmente não recomendo nas associações que já vi no mercado, tais como goma xantana, sacarina sódica (quando misturada a mel), fluoreto de sódio (flúor**) e benzoato de sódio.

    **Sim, há produtos na forma de “spray” regulamentados na área de cosméticos da Anvisa como “aromatizante bucal”. A criatividade do empresariado brasileiro para diminuir os cursos é fantástica. Pena que não a usem com o mesmo afinco para promover a saúde…

  3. Onde se lê:

    – “não prevenir” (3º parágrafo); e

    – “cursos” (último parágrafo)

    Leia-se:

    – prevenir; e

    – custos

  4. poderia me fornecer o preço ?

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