1 comentário

Meditação reduz sensação de dor e ajuda a superar efeitos de doenças

Meditação reduz sensação de dor e ajuda a superar efeitos de doenças

Publicada em 14/05/2011 às 19h46m

Roger Dobson, do Independent

Quando o pesquisador Chris Brown usou um laser para provocar pontadas de dor nos braços de voluntários, ele fez uma descoberta curiosa. Metade dos homens e das mulheres sentiu que a dor foi menos incômoda que os outros. Exames em seus cérebros também mostraram que áreas envolvidas na antecipação do medo estavam menos ativas. Os dois grupos de pessoas eram idênticos, a não ser por um detalhe: os que sentiram que a dor foi menos incômoda praticavam meditação. E quanto mais tempo de prática tinham, menor era a sensação de dor.

A pesquisa de Brown e outros especialistas em dor da Universidade de Manchester dá mais indicações de como a meditação pode servir para aliviar os sintomas de condições tão diversas como dor crônica, artrite reumática, depressão, ansiedade, insônia e síndrome do cólon irritável.

– A meditação parece funcionar reduzindo a antecipação e a visão negativa da dor e não por distrair a atenção da própria sensação de dor – diz ele. – Quando as pessoas meditam, elas se focam em sua respiração e outras sensações corporais e aprendem a experimentar essas sensações com atitudes de aceitação, abertura e curiosidade. Isso parece reduzir os pensamentos negativos sobre sensações como a dor.

As origens da meditação datam de milhares de anos, e há muitos tipos diferentes, como samadhi, mantra, zen budismo, ioga, Sahaj Marg e duas das mais praticadas no Ocidente, a meditação transcendental e de atenção plena.

Raízes no budismo e no hinduísmo

Muitas das raízes da meditação de atenção plena estão no budismo e em uma das mais difundidas formas os praticantes são ensinados a focarem a atenção na sensação de inspiração e expiração. Eles também aprendem a direcionar sua atenção no que está sendo experimentado no presente e não pensar no futuro ou no passado. Desta forma, sugere-se que os praticantes aprendem a experimentar pensamentos e sensações do dia a dia com mais equilíbrio e aceitação. Já a meditação transcendental tem suas raízes no hinduísmo, e usa mantras – palavras repetidas silenciosamente – para bloquear distrações. Seu objetivo é atingir um estado de atenção relaxada.

Centenas de estudos avaliaram os efeitos da meditação na saúde, e muitos encontraram benefícios. Mas é difícil realizar testes controlados com placebo nas terapias que envolvem a meditação. Muitas pesquisas simplesmente comparam resultados entre aqueles que praticam meditação com outros que não praticam e é um problema complexo montar experimentos que controlem tudo que possa contribuir para um efeito placebo, que é alto nestes tipos de terapias.

Outra forma de validar os efeitos da meditação seria revelar os mecanismos que a fazem funcionar, e muitos pesquisadores estão fazendo justamente isso. No Grupo de Pesquisas sobre Dor Humana da Universidade de Manchester, os cientistas estão conduzindo testes de percepção de dor em 27 homens e mulheres, metade dos quais pratica meditação. Os voluntários foram expostos a pontadas de dor causadas por um laser em períodos de cinco minutos.

– Descobrimos por meio de exames do cérebro que os praticantes de meditação tinham menos atividade nas áreas associadas com a antecipação. Eles também tinham uma redução da sensação de dor quando comparados com outras pessoas – conta Brown. – Acreditamos que na meditação o foco na respiração, por exemplo, ancora o indivíduo no presente e não no passado ou no futuro. Quando eles experimentam a dor, não a bloqueiam, mas lidam com ela de uma maneira menos negativa. Dessa forma, a meditação deve reduzir a avaliação emocional da dor ou de outros eventos estressantes por retirar a atenção da antecipação de seu sofrimento.

Ação direta no sistema nervoso

Também foi sugerido que a meditação pode funcionar por afetar o sistema nervoso autônomo, ou involuntário, que regula o funcionamento de muitos órgãos e músculos, controlando funções como a frequência cardíaca, sudorese, respiração e digestão. Ele consiste do sistema nervoso simpático, que prepara o corpo para a ação, como respostas de “lute ou fuja” em que o batimento cardíaco acelera e os vasos sanguíneos se contraem; e o sistema nervoso parassimpático, que diminui o ritmo cardíaco e de respiração e faz os vasos sanguíneos se expandirem, aumentando a circulação. Acredita-se que a meditação reduz a atividade do sistema simpático e aumenta a do parassimpático. Mas de 50 testes clínicos estão sendo realizados para avaliar os efeitos da meditação sobre várias doenças e condições, e como ela funciona.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/05/14/meditacao-reduz-sensacao-de-dor-ajuda-superar-efeitos-de-doencas-924465780.asp#ixzz1N0a55NoF

© 1996 – 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Um comentário em “Meditação reduz sensação de dor e ajuda a superar efeitos de doenças

  1. Muito bom saber de tudo isso, estou precisando praticar com certeza!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: